Terça-feira, Dezembro 21, 2010

Making enemies is good (until when?) The Punk Rock Days of a boy named Krempel




Hoje me peguei pensando nos meus dias Punk Rock.
Tudo isso por conta de algumas entrevistas que dei ao longo dos anos e que estive re-lendo nessa tarde.
Fiquei com muita vergonha de mim mesmo. Eu não sei se qual era a razão pra ser daquele jeito, mas eu simplesmente encontrava, sempre, uma maneira de fazer alguma agressão.

Nós éramos uma banda de Punk Rock ou de Rock Apunkalhado e isso poderia justificar tamanha cretinice (será?).

Éramos tão cheios de si, mas tão cheios, que eu não conseguia me perceber, me escutar mesmo em shows).
Era uma rotina. Eu abria a boca e saía metendo o pau em Fulano, Ciclano, Beltrano, banda X, Y, Z.

Nunca percebi o quanto isso era patético, sem sentido e o quanto isso dava o direito para essas mesmas pessoas, dizerem A, B e C sobre a minha banda e especialmente sobre a minha pessoa.

Depois de quase 4 anos fora do circuito, eu vejo que a única pessoa que se machucou com tantas pedradas fui eu mesmo.

Quem ficou marcado como babaca falastrão, fui eu.

Não sei de onde vinha tanta arrogância. Até porque, eu amo conhecer pessoas e fazer amizades.

Eu sei que hoje eu poderia ser uma pessoa cheia de amigos, mas ao invés disso eu sou considerado uma pessoa cretina com vários desafetos e poucos e corajosos (e valiosos) amigos.

Talvez aquilo tenha sido a minha válvula de escape.
Talvez eu tenha sido um grande pateta a frente de uma bela porcaria de banda.

Mas eu juro, que eu engoli toda porcaria de energia negativa que eu joguei pro mundo exterior e hoje me sinto mais a vontade para deixar (como escreveu Bukowski em Blue Bird) meu lado mais humano e frágil se expor.

E sim... eu ainda ACHO (não tenho certeza) que sei fazer boas canções. Mas isso, só o tempo dirá.

Quarta-feira, Setembro 29, 2010

O PT e Eu!

Nunca fui de acompanhar a política a fundo, fui introduzido nessa pelo meu pai, que era afiliado ao PT, tinha uma bandeira vermelha com a estrela branca e autógrafos do Hélio Bicudo, Aloizio Mercadante, Suplicy, Luís Inácio e toda a patota que ajudou a fundar o partido.

Meu pai me levava em comícios, centros estudantis, comitês do partido e eu sempre via aqueles amigos dele, sindicalistas, estudantes, com um quê de revolucionários, tomando cerveja e discutindo política realmente entusiasmados em mudar o país até altas horas da madrugada.
Lá estava eu com meu cabelo comprido, camisa do Led Zeppelin e me achando mais um da turma.
Impossível não se empolgar com aquilo tudo.
Eram intelectuais, artistas, músicos, escritores, pessoas que defendiam a tal da Esquerda para tudo e para todos e que tinham sempre alguma história sobre como tinham sofrido com o regime militar.
Eu juro que nem sabia o que isso significava, eu só sabia que os doidões cabeludos e barbados (uma coisa meio Los Hermanos com trocentas pulseiras de couro e calças rasgadas), apoiavam a esquerda e os meus avós-classe-média-alta-do-Itaim-Bibi, apoiavam o Collor (que o Papai abominava mais que o Demoonio e que eu presumia ser a tal da direita), sem contar que o Vovô era assessor do Aloisio Nunes Ferreira e ele sempre conquistava a mamãe pra votar no traste, que segundo ele iria nos ajudar a ter o mesmo padrão de vida que ele tinha. Ahan!

Por nunca terem conquistado (realmente) o poder, o PT era o simbolo de uma luta pelo certo, pelo justo, pelos excluídos, pela ética.
E eu ja havia me decidido. Eu ia ser mais um desses caras barbudos e cabeludos que apoiavam a luta do PT e iria ajudar a eleger o Lula como Presidente.


E eu fiz isso!

Em 1992, eu tinha 13 anos e acompanhei (com meu pai) os caras pintadas, nos protestos que eram realizados na Praça da Independência, pedindo o Impeachment do Collor.

Que tempo bom!

Os anos seguintes também.
PT lutando e não conseguindo a presidência... Companheiros e Companheiras...

Anos se passaram e hoje tenho 31 anos, meu cabelo não é mais comprido e tão pouco minha barba cresceu. Papai faleceu e o Vovô também. Assim como as instituições e os sonhos que os dois apoiavam (cada um a sua).

Eu tenho vergonha de ver o que o Lula e sua turma se tornaram e o pior, oque fazem hoje em dia.
Eles se uniram ao Collor, Sarney e tentam eleger o Tiririca (que é do partido do falecido Enéas) e a Mulher Pêra.
SÉRIO!
Eles desenvolveram e aprimoraram todo aquele conceito de política que tanto criticavam.
E mais ou menos como aquela banda de Punk Rock que se vendeu ao sistema para ganhar dinheiro.
Sem contar as milhares de falcatruas.

Fizeram coisas boas?
Até que sim ou pelo menos não comprometeram, mas no final de tudo, fica nitida a mutação do PT em um partidinho qualquer.

Agora que todos querem que votemos conscientes (mas aboliram a Lei Seca em SP e no RJ), eu me pergunto.

Votar em QUEM?

Se no fundo, sabemos que quem vier, irá fazer o mesmo e seguirá o fluxo desse rio de sujeira.

Que venha o que tiver que vir.

Como diria John Lennon: "The Dream is Over!"

Ou como diria Butch: "Zed is dead baby!"

Onde estará aquele Hiponga Petista ultra politizado e engajado de 1992?
Provavelmente esta bem e trabalhando em algum escritório de Advocacia, defendendo as empresas de telecomunicações em processos abertos por clientes que foram vítimas de clonagem de linha ou algo do tipo e ouvindo Rush.


http://www.telegraph.co.uk/news/worldnews/southamerica/brazil/8031623/Clown-close-to-winning-a-seat-in-Brazil-parliament.html

Domingo, Agosto 16, 2009

Quarta-feira, Julho 01, 2009

I´m back... ???


Juro que volto!
Enquanto isso, vejam o que anda
me mantendo longe do Blog:




That´s all folks

Sexta-feira, Fevereiro 27, 2009

A Cigana

Sexta-feira, 07:39hs

Acordei com um sol escaldante na cara, olhei a minha volta e só encontrei as várias latinhas de cerveja espalhadas pela sala.
A TV despertou em algum canal fora do ar no último volume.
Rrrshrrrshrrrsh...

Nada como acordar irritado no último dia da semana de trabalho.

Desliguei a TV, fui a cozinha e achei um resto da garrafa de Vodka que eu jurava ter matado na noite passada, no cinzeiro um cigarro pela metade, devidamente aceso para acompanhar aquele maldito gole que me ajudou a fazer uma cara mais feia ainda.
Melhor café da manhã, impossível.

Corri pro banho e deixei um café sendo preparado na cafeteira.
Café e cigarro aliás são o melhor laxante do mundo.
Esqueçam as Ameixas.

Toalha enrolada na cintura, cueca pendurada na janela do banheiro.
Toalha jogada na cama, cueca ainda na janela do banheiro.

Ninguém para se queixar.

Abri a porta, recolhi o jornal e descobri que meu time havia empatado heroicamente.
O horóscopo, diz que não é um dia pra se deixar levar por emoções baratas.

Foda-se o Quiroga!

Um ônibus lotado até a avenida Paulista.

Uma garota muito interessante me observa.
Ela não tem cara de quem está afim de ir pra aula hoje.
Me sento ao lado dela. Ela encosta sua perna na minha, logo displicentemente encosta sua mão na minha coxa.

Sem hesitar a convido pra descer do ônibus.
Ela aceita, como se já me conhecesse há tempos.

Caminhamos até uma padaria.
Pedi um café e pão com manteiga, ela pediu uma laranjada com kibe.

Enquanto o balconista preparava o café da manhã (o meu segundo), corremos para o banheiro.

Eu a beijei com tanta força que senti, entre uma mordida e outra nos seus lábios, um pouco de sangue.

Levantei sua mini-saia e arranquei sua calcinha.
A virilha bem depilada, pêlos bem aparados e um bafo quente irresistível.

Botei meu pau pra fora e enfiei bem no meio.
Ela já estava molhada.
Encharcada.

Nada me importava, nem mesmo o horário do meu serviço.

Empurrava forte, enquanto ela gemia baixinho e pedia pra encher a boceta dela com meu suco.

Pedido feito.
Pedido concedido.

Tudo muito rápido.
Ela saiu primeiro e eu fiquei mais um pouco, pra me recuperar daquela surra.

Olhei no espelho.
Arrumei meu cabelo. Sequei o suor da testa e voltei pra mesa.

-A menina foi embora e pediu pra você ligar pra ela.
Disse o balconista, me entregando um papel com um telefone.

Pedi para que embrulhasse o café para viagem.

Cheguei ao trabalho, exausto e atrasado.
Pra minha sorte minha chefe não estava.

Sentei e fiquei tentando entender o que tinha acontecido.

Hora do almoço.

Pego mais um ônibus lotado e vou até o Centro, pagar uma conta que estava atrasada.
Coisa rápida.

Na volta passo na Pça da Sé e uma maldita cigana me aborda, puxando minha mão.

- O Sr° gostaria que lesse a sua mão? Eu te darei dois nomes de pessoas que não gostam do Sr° e se o Sr° gostar, me paga R$ 2,00?
- Querida, duas pessoas é muito pouco. Tenho uma lista enorme de desafetos... Aliás, qual seu nome?
- Carmen.
- E o da sua amiga ali?
-Consuelo.
- Ótimo. Carmen e Consuelo eu odeio vocês duas. Considerem-se vocês, as duas pessoas que eu ainda não sabia que me odeiam. Passar bem!

Ela gritou alguma coisa, que eu juro que não entendi.

Voltei ao trabalho.
As horas voaram.

Logo eram 18hs.

Peguei minhas coisas, desliguei o computador e liguei pro número que aquela garota me deu de manhã.

Ela atendeu com uma voz suave, delicada e me convidou pra ir pra sua casa.
Me passou o endereço e me explicou como chegar.

Peguei mais um ônibus lotado e em meia hora já estava no portão da sua casa.

Perguntei seu nome.

-Gabriela e o seu?
-Rafael, mas pode me chamar de Pim.


Então ela me convida pra entrar.

Entramos na sua casa.
Um cheiro de incenso e uma música flamenca tocava bem baixinho no som da sala.
Rumamos até a cozinha.

-Papai! Esse é Rafael. Foi ele quem me engravidou.

O Velho me olhou enfurecido e pegou uma faca.
Levantou e veio em minha direção.

Eu não sabia o que fazer e comecei a rir daquela situação.

Ele me ameaçou dizendo que eu deveria casar com sua filha urgentemente.

A menina chorava. Ela merecia o Oscar, ou melhor, o Framboesa de Ouro.

O velho começou a suar e olhou torto, deixou o facão cair no chão e pôs a mão no peito.

A menina então começou a rir de tudo aquilo.

-Ta ai seu velho Filho de uma Puta, esse é o seu castigo por ter me usado e me abusado todos esses anos desde que mamãe morreu.

O velho não conseguia falar nada, só gemia.

Eu aproveitei a situação, sai da cozinha sem ser percebido e chamei uma ambulância, enquanto me caminhava pra porta de saída.

-Rafael? Volta aqui agora.

Ela percebeu minha fuga.

Veio atrás de mim, caminhando calmamente com uma pequena adaga na mão e disse:

- Obrigado por me livrar desse merda. Você é mesmo um homem encantador e sabe muito bem como comer uma mulher. Apareça quando quiser.

Me deu um beijo e abriu a porta.

Agradeci seus elogios e sai o mais rápido que eu pude daquele bairro.

Nunca mais peguei aquele ônibus e nunca mais a vi novamente.

A não ser pela manchete no dia seguinte, de um desses jornais sangrentos, que todos adoram se aglomerar para ler na banca de manhã.

"Menina Cigana esquarteja o pai e enterra restos no quintal".